terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O ESCUDO ESQUECIDO

TORCIDA QUE DESCONHECE SUA HISTÓRIA 

Os tempos são outros, as informações chegam instantaneamente e a história está muito mais acessível, mas muitos dos Athleticanos “atuais”, desconhecem o Athletico de antigamente.

Seria preguiça de pesquisar ou falta de amor ao clube?

O Athletico nasceu em 1924, oriundo da fusão dos 2 maiores rivais da cidade. Os coxas não eram vistos como rivais à altura de América e Internacional, “donos” das maiores torcidas de Curitiba.

No quadro de sócios o América era o maior, seguido pelo Internacional e Britânia. O Coritiba ocupava uma posição intermediária, 5º ou 6º colocado.

Quando “falo” de sócios na década de 20, “falo” de mais de 10 mil sócios para os 2 primeiros, cada um. Parecem números surreais, levando em conta a população da época, mas a paixão pelo futebol estava no sangue do curitibano, que lotava as dependências do Joaquim Américo em todos os jogos, fosse do Internacional ou do América.

A união de ambos formou em 1924 o Club Athletico Paranaense, grafia que se repetiu até mais ou menos 1935. O primeiro escudo, bem mais simples, acompanhou o clube até 1936, ano que sofreu a primeira das muitas mudanças que ocorreram ao longo do tempo e nada tinha a ver com os que conhecemos atualmente.

O Athleticano tem que “aprender” a conhecer e valorizar sua história, para poder entender os caminhos do futuro!



O PRIMEIRO ESCUDO

Muitos estão estranhando o fato do Athletico ter em sua história um escudo que jamais foi divulgado. 


Ao contrário do que muitos imaginavam, o primeiro escudo do Furacão nunca teve semelhança alguma com o escudo do Flamengo. Era um escudo simples, com as letras CAP entrelaçadas. 

A foto ao lado é referente ao time de 1935. A bandeira com listras  vermelhas e pretas, separadas por linhas brancas, explica claramente o motivo do uso de calções brancos por tantos anos no uniforme do Furacão.

Na foto do time campeão invicto em 1929, podemos notar o estilo do escudo entrelaçado similar ao da foto acima. 

Talvez por não haver semelhança alguma com os escudos mais populares, ele foi “esquecido” ou "deixado de lado", mas o certo é que fez parte de nossa história, “sobreviveu” até o ano de 1936, quando finalmente, o primeiro escudo com listras em vermelho e preto foi de certa forma “lançado” e estampou apenas a camisa do goleiro Caju “A Majestade do Arco”.

Naquela época, apenas a camisa do goleiro carregava o escudo original, as outras camisas carregavam ainda o mesmo formato das letras CAP do primeiro escudo, um pouco mais espaçadas, onde  letra "A" predominava em tamanho. 

A fonte mais nova, que ficaria famosa com o passar dos anos, foi criada por Ayrton Lolô Cornelsen em 1944, meio que imitando a do Flamengo.

Eram tempos diferentes, o futebol não era de certa forma “nacionalizado” como hoje em dia e copiar o que era sucesso era algo normal e bem visto.

Mas fizemos questão de devolver o favor aos flamenguistas, quando da vinda de Lamartine babo, músico famoso e compositor do hino do Flamengo, à cidade de Curitiba. Em meio a seus passeios pela cidade, se dispôs a conhecer o estádio do Rubro Negro paranaense. Em certo momento, leu o lema Athleticano escrito em uma parede parede da Baixada, “Uma vez Athletico, sempre Athletico” e alguém lhe sussurrou, “Athletico até morrer”. Meses depois era lançado o hino do rubro negro carioca. O primeiro verso da letra do hino, deixava claro a origem de sua inspiração, "Uma vez Flamengo, Sempre Flamengo” ... “Flamengo até morrer”.


Há muito que se escrever sobre os antigos escudos do Athletico Paranaense, mas o certo é dizer que as mudanças década após década, sempre foram comuns e fazem parte da história do clube, goste o torcedor ou não.




OS “ÚLTIMOS” ESCUDOS 

Listras das camisas “modificadas” em 1989 para desespero geral da torcida.

Escudo modificado em 1989 para desespero geral da torcida;

Diga-se de passagem, que não ficaram muito agradáveis, nem escudo e nem camisa e claro, para o torcedor, aquela forma “Moto Club” de ser jamais foi aceita, a não ser pelos mais novos, que pouco sabem do Athletico. A intenção era ficar parecido com o então mundialmente conhecido Milan, mas as piadas da imprensa nacional nos remeteram a um comparativo ao Moto Club do Maranhão.

Mas MCP, ao invés de voltar ao antigo estilo preferido pelo torcedor, inovou e renovou tudo, principalmente o escudo, saindo daquele tradicional “flamoto” para um novo escudo circular e muito mais bonito que os antigos.

Porém, o desespero tomou conta de parte da torcida e principalmente dos meios de comunicação que consideraram a mudança um ultraje, uma mancha na história do clube e que aquele escudo jamais sobreviveria, logo seria aposentado.

O tempo passou e o escudo caiu nas graças do torcedor.

Particularmente, sempre me irritei em ver camisas parecidas em estádios mundo afora e mais recentemente em dois jogos que assisti sendo, uma partida da Liga Futsal e outra da Premier League (campeonato inglês). Na Liga Futsal, me entusiasmei ao ver a camisa listrada verticalmente achando que fosse do Athletico, mas era do Milan e na Premier League, uma das equipes com uniforme semelhante ao nosso. Fiquei meditando sobre as confusões seguidas que nossas mentes eram submetidas.

Em relação ao escudo anterior, embora muito mais bonito, ainda assim, sempre considerei uma “cópia’ do escudo do coxa e do Grêmio, embora de bom gosto, nunca vi originalidade nele.


O recado para você que é mais novo é o seguinte: Pare de choradeira e se acostume. O Athletico sempre foi um clube de transformações, mudanças, revoluções e afins, e não será você que irá tirar isso do Athletico. Acostume-se com as mudanças de ventos do Furacão, pois por isso é que somos chamados de Furacão.


A NOVA CAMISA BRILHOU EM SÃO PAULO

Fiquei totalmente impressionado e maravilhado com a nova camisa em campo.



Senti um ar de nostalgia, uma sensação de identidade própria e enfim, enterradas as comparações com outros clubes mundo afora.

A nova camisa estreou revolucionaria e vencedora.

O novo escudo parece uma junção do passado e do presente em algo novo.

Explico: Há aqueles que “nasceram” verticais e há aqueles que “nasceram” horizontais. O novo escudo representa a junção entre o antigo e o atual em formato transversal, ou seja, nem horizontal e nem vertical.



Alguns reclamam da falta de simetria do escudo, mas poucos entenderam o propósito. O novo escudo é uma marca que pode ser utilizada em diferentes contextos de imagens e não pode ser copiada, tornando-a única e exclusiva, saindo do comum de todos os clubes, contendo um diferencial reconhecido de longe.

Os bons ventos do Furacão, demonstram claramente a mudança de patamar do clube iniciado no lançamento da nova marca, com título Sul-Americano e uma grande vitória na estreia da nova camisa.

Que os bons ventos tragam nosso torcedor para o estádio, vestindo e apoiando o novo Athletico, o Athletico do futuro, um Athletico em busca de seu maior sonho, ser Campeão Mundial de clubes. 


A camisa mudou, o escudo mudou, a marca mudou, como também o time que jogará em 2019 não será o mesmo que disputou em 2018, mas o Athletico continua o mesmo, o mesmo Furacão que varre os estádios por onde passa e para ele se tornar ainda mais Gigante só falta você.

Mais do que falar que a torcida é o maior patrimônio do Athletico, está na hora dela provar se associando.


4 comentários:

  1. Melhore a camisa q o símbolo até é aceitável

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  2. Parabéns belas memórias so assim conheci melhor a história do nosso club.

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  3. Belíssima história do Athletico Paranaense. Tudo o que relatado me causou mais admiração por nosso clube, mas o que me chamou a atenção, foi o fato de saber que criador do hino flamenguista :"Uma vez Flamengo, sempre Flamengo", "Flamengo até morrer"... encontrou a inspiração pra essa frase do hino nas paredes do estádio do Club Athletico Paranaense, onde viu escrito: "Uma vez Athletico, sempre Athletico", "Athetico até morrer", impressionante! Definitivamente, não somos os únicos a copiar o Flamengo. O Flamengo também nos copiou, e o jargão encontrado nas paredes do Joaquim Américo, serviram pra alimentar o grito dos flamenguistas na hora dos títulos gritando: "Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!(...)Flamengo até morrer"... Quem diria, hein? Por isso que sempre penso assim: nunca devemos subestimar ninguém, pois talvez naquele "pequeno inimigo ou adversário", veio uma inspiracão pra nós comemorarmos as vitórias.

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